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2/3 Dois terços - by Danilo Amaral


O processo Justine

Ler, criar, propor, discutir, juntar, improvisar. Através de acertos e erros muitas horas se somam em uma busca que parece não ter fim. A personagem escapa, sutilmente voa uma mosca em meio a libertinos e vítimas, o ambiente é desconhecido e a luz não revela, vela o que vê. Linguagens se misturam, elementos se formam e idéias se aproveitam. Estamos em processo. O ensaio termina, sentados no restaurante ao lado discutimos, pensamos e propomos novamente. O processo está em nós. Nasce Justine, eu me desgasto e vou para casa descansar, pensar, ler, sonhar com tudo isso e aguardar ansioso pelo próximo ensaio.



Escrito por Danilo às 11h44
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O ônibus

É um ônibus amarelo. Pequeno e amarelo. O mundo inteiro passa pela janela dele. Mora na minha cabeceira e me lembra um sonho que tive. Entrei nele para dar a volta ao mundo. Acho que estava quebrado. O mundo. Muitas pessoas choravam nas ruas. Algumas pareciam sorrir com nós na garganta. Gritei pela janela tentando saber o motivo do choro. Eu também chorava. Acho que estava quebrado. Eu. Comprimidos para choro em caixinhas sem cor chegaram em minhas mãos. Estava sozinho no ônibus amarelo. Um menino chorava sonhando, enquanto descoberto dormia encolhido num canto. Acho que estava quebrado. O menino. No telefone estava uma moça com a voz embargada, ela dançava tentando dormir e chorava por não conseguir. Acho que estava quebrada. A moça. Vi um rapaz que vendia felicidade em pó num saquinho. Acho que estava quebrada. A felicidade. Foi assim que me encontrava quando percebi que chorava. No ônibus amarelo. Pequeno e amarelo. Acho que estava quebrado. O ônibus.




Escrito por Danilo às 14h33
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Sorte de hoje

Em breve você mudará seu método de trabalho atual

Escrito por Danilo às 12h06
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Pontuação

Olho para os quatro cantos. Tudo muito estranho. Nada se mexe, nenhum som. Nada respira. Exclamação. Percebo que faz tempo que as coisas/pessoas estão exatamente no mesmo lugar. Até o ar parou de circular. Interrogação. É como se tudo estivesse no fundo do oceano, mas sem o som da àgua. Não respiro. Exclamação. Não sinto minhas pernas, meu sangue não circula, estou preso. Vírgula. Um sorriso parece se formar na minha frente. Não sei se é para mim ou se é de mim. Não sei mais nada. Reticências. É imaginação ou meu mundo é uma fotografia. Ponto.

Escrito por Danilo às 14h33
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O inventor

O dia em que eu me inventei pela primeira vez, já tinha dores de cabeça e sentia frio.
Havia tangerinas nas árvores e brincava de criar castelos na areia que se dissolvia.
Via jacarés pela janela do quarto e com medo me escondia, em armários, em retratos, em bacias.
Já sabia nadar.
já subia em árvores, telhados, grades e pias.
Já caçava esqueletos durante o dia e fingia dormir para ser carregado para o quarto durante a noite.
Já escrevia cartas que ninguém lia e lia as cartas que inventava mas ninguém escrevia.
Hoje, quando me lembro e percebo que não se volta o tempo, me lamento e é com saudades que me invento em vento todos os dias.

Escrito por Danilo às 14h08
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"Antes de mais nada, o nosso tema é a vida.
Mas se acharem que falta algo na vida...
roubem uma câmera...
e tentem dar um estilo à vida.
Filmem longas panorâmicas sobre a vida, em Techniscope e em cores se tiverem idéias amplas.
Filmem cenas estáticas de morte...
em preto e branco, se gostarem da fase inicial de Godard
Ou filmem em tomadas duplas.
O cinema faz parte do nosso espetáculo."

Partner, Bernardo Bertolucci



Escrito por Danilo às 12h36
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Meus livros se misturam frenéticamente com meus códigos de pedágio.
Meus sonhos se passam em algum lugar entre o século XVIII e o infinito.
Alguns conceitos revisados e fortalecidos.
Alguns medos vencidos.
Percebo que algumas pessoas me dão raiva.
Percebo que quem fala em tolerância quase sempre não sabe o que isso significa.
Percebo que também sou intelorante.
Percebo que sou um barco.
Percebo que nado.
Que nada.
Admirando muitas pessoas.
Conhecendo muitas outras.
Sem sinal.
Sartre, Nietzsche, Sade, Lewis, Eu, Foucault, Adorno.
Qual pedaço da mente se perde quando se cria?
Felicidade.
Sentido.
Palavras ao vento. Na mesa. Cadeira. Colchão. Dj.
Adam Sandler.
Sempre gostei de preto e branco.
Sempre achei difícil colorir.
Preto e branco não é bom?
Dúvidas.
Ausência de respostas.
Multiplicação de perguntas.
Uma empresa nasceu no mesmo corpo que eu.
Mais uma vida. Notas fiscais.
Chato.
?
Muito chato.
Pensando em juntar a vida.
Os pedaços ou cacos de mim.
Colar, recolher, colorir? descolar, insistir. chatear. sorrir. chorar. cuspir, deitar, sonhar, sofrer. viver!

Escrito por Danilo às 12h12
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Sujeira de anjo

Ontem limpei o sapato sujo de festa e fui me encontrar com Deus. Descobri que a noite os anjos vendem flores e que é fácil reconhecer um anjo. Eles têm rosto de anjo que acabou de tirar a tinta do rosto. Sim, porque anjos usam tinta branca no rosto. Quando estão tristes, ficam embaixo de árvores e falam com Deus. Me fez falar com Deus e descobri que ele dança. Não os anjos. Deus. Nem todos os anjos gostam de festa. Dei carona para um anjo que tinha acabado de guardar suas asas na mochila e percebi que o combustível do carro não diminuía. Isso porque quando você está com um anjo o tempo congela. Fica tudo branco como cristais de sal refinado. Anjos contam piadas tão engraçadas que até machucam a barriga. Anjos possuem uma riqueza infinita de seis reais e trinta e sete centavos e um cheiro engraçado de ar-condicionado que te faz pensar em poesias verde. E elas não saem por um longo tempo da sua cabeça, só mudam de cor. Ontem me encontrei com um anjo que se matou porque era anjo e queria ser humano. E eu que queria ser um anjo, me matei como humano. Mas não morri. Não morri porque tinha me encontrado com Deus, e quando se encontra com Deus não se morre. Voltei para casa com o sapato sujo de anjo e de Deus, e não limpei outra vez.

Escrito por Danilo às 14h48
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Escrito por Danilo às 14h48
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Promessa

Prometo que nunca mais...
Não, não prometo mais.
Como é difícil decidir
Para onde se deve ir
Por dentro? por fora? no alto? embaixo?
Aonde eu sou feliz?
Uma lágrima
Prometo que nunca mais...
Não, não prometo mais.

Escrito por Danilo às 13h05
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Vida na praça

E a vida passa... e eu rodopio e passo no passo dela.
Na fumaça da praça.
No cheiro da praça.
No chão da praça a vida passa.

Olho vermelho, sorriso amarelo mas belo
Será verdadeiro ou é passageiro?

Toca um sino insano
Toca um sino profano
Toca um sino sino

Enquanto a vida se descolore e colore todos os dias na praça
Como uma tatuagem sobre a pele
Sempre fica alguma coisa...
Sempre fica alguma...
Sempre fica...
Sempre...
...

Escrito por Danilo às 17h15
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Quem é você BOBO PLIN?

Escrito por Danilo às 19h19
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Festinhaaaaa...



Escrito por Danilo às 13h04
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Uma semana com ele...

Domingo
Recebi assim, meio sem querer mas não tive como fugir. Foi depois da aula, o coloquei na sacola, junto com meu tênis que usei na apresentação desse domingo, coloquei a sacola no carro e fomos para casa.

Segunda
Esqueci de retirar ontém a sacola do carro e o carro já não estava mais em casa. Fiquei o dia inteiro sem ele e por isso decidi não sair "sozinho" à noite.

Terça
Decidi sair com a minha mochila hoje, apenas para poder carregá-lo. Fomos para o serviço, tinha esquecido de esvaziar a mochila no domingo e ela continuava cheia hoje enquanto eu a estava carregando por causa dele. Ficou o dia inteiro na mochila, em cima da minha mesa. Queria ter saído hoje, mas não pude pois estava com a garganta inflamada, voltamos então para casa.

Quarta
Saí novamente com a mochila para carregá-lo. Ontém eu nem abri a mochila (lembrei enquanto saía de casa), assim, quando consegui me sentar no metrô decidi tirá-lo da mochila um pouco, pelo menos para observá-lo direito. Abri a mochila e senti uma vergonha imensa, haviam quatro pessoas me observando, pensaram que eu estava louco?!? Assim, em menos de cinco segundos ele já se encontrava novamente dentro da mochila. Nesses cinco segundos consegui perceber a cor dele e me lembrei de uma cena da peça "O Amor do Sim", onde a manicure Sueli conta para o iluminador Galego que quando foi à loja comprar o sapato que ele concertava, pediu o "marrom-claro" e o(a) vendedor(a) da loja disse que não se tratava de "marrom-claro" e sim de "caramelo". Era exatamente essa a cor dele, marrom-claro... tá... caramelo. Notei também nesses segundos de observação que havia um nome gravado nele: Gabriela! Mas não tinha certeza, pois olhei rápido demais. Cuidadosamente, sem que as pessoas reparassem, abri novamente a mochila para confirmar o nome. Estava correto, Gabriela. Aproveitei também e vi uma sequência de números que o diferenciava nos demais países. 4093839. Hoje apesar da garganta ainda não ter melhorado totalmente decidi sair, e fomos para o Festival Latino-Americano de cinema. Dentro da sala de cinema, eu decidi tirá-lo da mochila para acompanhar o filme. Ficou no meu ombro durante as duas sessões. Acredito que o escuro do cinema o tenha ajudado a sair da mochila. Passamos por um local na Rua Augusta que possuia um Brechó. Ficamos um pouco por lá e observei que existiam alguns sapatos femininos ali à venda. Lembrei dele que estava novamente na mochila e agora em cima do sofá que havia lá no local. Teria coragem de vendê-lo? Não, acredito que não.

Quinta
Por que lugares ele já andou? Que tipo de ambientes frequenta? Não está velho nem gasto, será que existe há quanto tempo? Já havia estado em um cinema antes da noite de ontém? Essas questões passaram hoje pela minha cabeça, tentarei descobrir tudo isso no próximo domingo. Ele está agora atrás de mim, dentro da mochila, em cima do meu porquinho, não sabe que estou escrevendo tudo isso sobre ele nesse momento. Também não poderia saber. E se ele falasse... pensasse... sentisse? Acredito que não estaria satisfeito em ser o que é. Ninguém do mundo dos vivos está satisfeito com o que é ou com quem é, não seria diferente para ele. É bom que não possa falar, nem pensar e nem sentir. Agora fiquei com uma pontinha de inveja e uma tremenda vontade de ser como ele. Não sei qual o seu tipo, já ouvi uma vez algo a respeito desses tipos, não vou arriscar um nome porque sempre erro nesses chutes. Ainda bem que não jogo futebol, seria uma catástrofe. Por falar em futebol, hoje a seleção feminina deu um show no Pan. Assisti durante o almoço. Ele pertence a uma mulher, mas ele não poderia jogar futebol com ela, não é desses tipos, isso eu sei.



Escrito por Danilo às 13h56
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Continuação...

Sexta
Assisti dois filmes hoje, em casa mesmo. Ele ficou no chão durante todo o tempo, lembrei que às vezes eu também preferia ficar lá no chão e assistir dali. Já assistimos a quatro filmes durante a semana, onde ele estaria se não fosse ali vendo filmes comigo? Pensei sobre isso e reparei que todos os meus sapatos e tênis estavam no escuro, dentro do guarda-roupa, era lá provavelmente que ele estaria se eu fosse o seu dono. Fui até o guarda-roupa e abri a porta, não entendi porque fiz isso, fiquei preocupado com o que estava fazendo pois parecia meio louco. Peguei então ele que estava na sala e coloquei dentro do guarda-roupa junto com os meus sapatos e tênis. Fechei a porta e fui dormir.

Sábado
...

Domingo
Um significante sem significado.. insignificante agora... era isso. As coisas que eram interessantes com o passar do tempo viram apenas coisas e precisamos de outras para nos ocupar. Fui até o guarda-roupa buscá-lo pois era hoje o dia de devolvê-lo. Ele havia se misturado com vários outros que foram jogados lá na última arrumação da minha irmã. Procurei por todos os lados, ofereci recompensa para quem o encontrasse, lembrei-me rapidamente de tudo o que acontecera durante a semana e depois de uma longa procura o encontrei novamente, percebi alguns sinais de poeira, mas não limpei, apenas coloquei na mochila e fui para a oficina. Saudades? Acho que não, era só um sapato, foi como um rio... já passou.

Escrito por Danilo às 13h55
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